16
Jan
Lixo Eletrônico no Brasil

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No Brasil, mais de 70 milhões de lixo urbano são produzidos por ano. Desses, mais de 1,4 milhão de tonelada apenas de lixo eletrônico.

E a notícia triste? Apenas 2 % disso tudo é reciclado :(

Os impactos desse acúmulo de lixo são inúmeros.

Principalmente porque eles não se decompõem naturalmente, e acabam contaminando o solo e lençóis freáticos.

E consequentemente a água que chega na nossa casa.

Para ter uma ideia, apenas em São Paulo, levantamentos da Cetesb já mostraram 5 mil áreas contaminadas.

O pior: a tendência é aumentar. Afinal de contas, quanto tempo você demora para trocar o seu celular?

E já parou para pensar no que acontece quando você joga o aparelho no lixo? Pois é.. Acontece que são milhões de pessoas fazendo a mesma coisa.

Só em 2014, por exemplo, o mercado de equipamentos eletrônicos movimentou R$ 2,5 bilhões no Brasil.

Traduzindo: a cada minuto, eram vendidos nada menos do que 104 smartphones, 19 computadores e 18 tablets!

E pensar que um dia eles todos viram o que se conhece como e-lixo.

Pela Lei do lixo eletrônico, já em vigor no Brasil, fabricantes e revendedores de eletroeletrônicos devem disponibilizar postos de coleta para os aparelhos usados, e encaminhar cada um deles para a reciclagem apropriada.

No entanto, essa Lei ainda não está em pleno funcionamento.

Principais barreiras para a reciclagem do lixo eletrônico no Brasil

A maior barreira para a reciclagem do lixo eletrônico no Brasil são os custos.

Em especial, o custo da manufatura reversa, que é o processo de “desmontar” cada aparelho e separar as suas partes para a reciclagem. Isso ainda somado aos custos do processo de logística reversa, que faz o retorno dos produtos para a fábrica.

O lixo eletrônico é formado por diversos tipos de componentes, principalmente plásticos, metais e vidro. A boa notícia é que eles são facilmente recicláveis.

A má notícia é que, no geral, existem uns 40 elementos, todos misturados, dificultando muito a vida de quem precisa reciclar.

Um exemplo disso são as placas de circuito impresso (PCIs). Aquelas que você encontra em praticamente todos os aparelhos eletrônicos, dos smartphones a carros.

Se já viu uma de perto, reparou a quantidade de materiais que têm ali?

Chumbo, cobre, níquel, e até metais preciosos, como ouro, prata e platina. Agora pensa o quanto custa produzir cada uma delas!

É de se imaginar que a reciclagem significa economia, certo?

Infelizmente não é bem assim. As técnicas de separação são extremamente caras, consumindo quantidades absurdas de energia e material.

No Brasil, por exemplo, não existe esse tipo de processo, e as placas são enviadas para o exterior. Encarecendo ainda mais!

O mercado do lixo eletrônico

Mas nem tudo são más notícias.

As iniciativas de sustentabilidade estão gerando lucros. O que é ótima notícia!

Afinal, o que gera resultados financeiros tem muito mais chances de receber investimentos. E melhorar a vida de muita gente.

De acordo com a ONU, no mundo todo, o mercado de lixo eletrônico, desde a coleta até a reciclagem, movimenta em torno de US$ 400 bilhões por ano (em torno de R$ 1,320 trilhão!).

Só no Brasil, a reciclagem desse tipo de material tem potencial de gerar 10 mil empregos e injetar R$ 700 milhões na economia do país. Um número nada desprezível.

Uma iniciativa que funcionou muito bem foi a parceria do Instituto GEA com universidades, como a USP, para capacitar coletores de lixo, fazendo a separação correta.

Em 2 anos, a parceria já treinou 300 catadores, que proporcionou uma renda mensal média de R$ 2,2 mil para cada um dos cooperados.

Saiba mais sobre a parceria entre a Redial e a Coopermiti!

Iniciativas surgindo por aí

E as coisas ainda tendem a melhorar!

Uma boa perspectiva, por exemplo, vem da faculdade de engenharia química de uma faculdade em Minas Gerais.

Alguns alunos, depois de ver na televisão que o lixo eletrônico no Brasil não é reaproveitado por falta de soluções, resolveram criar a própria alternativa.

E resolver uma questão ambiental.  

A maior demanda era separar os diferentes tipos de material. Como aqueles das PCIs, lembra?

Para recuperar esses componentes, existem dois caminhos: a pirometalurgia (literalmente incinerar os resíduos eletrônicos) e a hidrometalurgia, que são diferentes processos de dissolver o metal por reações químicas.

Ambos os tipos de processos têm riscos e geram resíduos tóxicos.

O que os estudantes fizeram foi recriar esse processo químico, mas diminuindo a toxicidade para separar alguns materiais, como o ouro. E abrindo novas possibilidades. As pesquisas continuam.

E outras soluções também

A reciclagem do lixo eletrônico é necessária. Mas existem outras soluções igualmente boas para reduzir os impactos ambientais.

É por isso que iniciativas como o Recommerce estão crescendo. Porque elas incentivam o reuso de produtos.

Algo excelente tanto pelo ponto de vista econômico quanto ambiental.

A Redial-Refone é um exemplo de recommerce!!
Quem tem um smartphone usado, revende. Quem está buscando um aparelho, comprar um seminovo por preços bem abaixo do mercado. Evitando que esse material vá parar nos lixões. É a ideia da Economia Circular.

Saiba mais sobre a Redial e Refone! :)

 

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